Japão se prepara para duplo cenário de coronavírus e desastre natural

1 06 2020

Governos locais despertam para a necessidade de se preparar para um cenário de pior caso – desastre natural e surto de coronavírus afetando suas áreas ao mesmo tempo

Ginza
Governos locais no Japão estão despertando para a necessidade de se preparar para um cenário de pior caso – um desastre natural e surto de coronavírus afetando suas áreas ao mesmo tempo.

Apesar do fim do estado de emergência por causa do surto do vírus que o primeiro-ministro Shinzo Abe declarou para a nação toda em um ponto, infecções não chegaram a zero e o arquipélago está em alerta contra um ressurgimento nos casos após algumas cidades terem registrado clusters (aglomerados) de infecções nos últimos dias.

O Japão é propenso a desastres naturais como terremoto ou tufões, e municípios locais têm planos de resposta. Mas este ano, eles estão enfrentando dificuldades para prevenir que abrigos de emergência se tornem focos de infecções por coronavírus, visto que a chegada da temporada das chuvas afetará o país inteiro em junho.

A cidade de Kesennuma (Miyagi) decidiu aumentar de 12 para 25 o número de escolas e centros comunitários que fornecerão abrigos principalmente para residentes idosos que iniciam o processo de evacuação antes dos outros em casos de desastres como inundações.

Kesennuma tem um total de 96 instalações prontas para servir como abrigos de emergência na sequência de desastres incluindo terremoto ou tsunami.

O plano é destinado a evitar a superlotação de instalações de emergência ao dispersar os evacuados e reduzir aos riscos de transmissão do vírus, visto que o Japão está pedindo às pessoas que evitem espaços fechados, lugares lotados e contato próximo, os 3 Cs em inglês (closed spaces, crowded places e close-contact settings).

As pessoas em abrigos precisam manter uma distância de 2 metros e usar desinfetantes, de acordo com as diretrizes operacionais da cidade.

Mas um oficial da cidade reconhece que ajuda de entidades de fora, como associações de residentes locais, pode ser necessária para operar essas instalações. “Funcionários do governo da cidade podem não ser suficientes”, disse o oficial.

A região nordeste do Japão foi devastada pelo grande terremoto e tsunami em 2011 que causou o pior acidente nuclear na província de Fukushima desde o de Chernobyl.

Número de casos no Japão aumenta, mas a um ritmo bem mais lento
Especialistas médicos estão pedindo por vigilância contínua contra o vírus que causa pneumonia, embora Abe tenha declarado em 25 de maio que o estado de emergência estava encerrado.

O número total de casos no Japão continua aumentando, embora a um ritmo bem mais lento, com a contagem situando-se a 17,5 mil, incluindo cerca de 700 do navio de cruzeiro Diamond Princess que ficou sob quarentena na cidade de Yokohama em fevereiro.

Todos os anos, o Japão é atingido por uma série de terremotos, e vários tufões que causam caos em partes do arquipélago em todo verão e outono nos últimos anos.

Se aumentar a necessidade de buscar abrigo, os evacuados serão encorajados a trazerem suas próprias máscaras, sabonetes e termômetros.

A cidade de Amagasaki (Hyogo) planeja preparar abrigos que aceitarão exclusivamente pessoas que tiveram contato próximo com infectados ou para aqueles que retornaram do exterior.

Mas ir a instalações de evacuação preparadas por autoridades do governo não é a única opção, desde que haja outros lugares seguros. Hotéis e pousadas no estilo japonês também podem representar um papel importante, diz o governo central.

Visto que a disponibilidade de quartos flutua dia a dia, o uso de hotéis pode não ser fácil. “É difícil criar planos com antecedência sobre o uso de hotéis”, disse um oficial do governo da cidade de Nagano (província homônima), que foi atingida pelo tufão Hagibis em outubro passado.

A cidade planeja se organizar com hotéis quando um desastre ocorrer.
Fonte: Portal Mie com Kyodo News and Cuture





Pandemia faz crescer proposta de ano letivo a partir de setembro no Japão

28 04 2020

A ideia já conta com petições a serem encaminhadas ao Ministério da Educação

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O fechamento das escolas durante a pandemia de Covid-19 reacendeu o ânimo entre estudantes, pais e líderes governamentais para iniciar o ano letivo em setembro para se sincronizar com os países ocidentais.

O jornal Asahi publicou que a questão foi levantada no passado, com os proponentes dizendo que a mudança tornaria muito mais fácil para os estudantes japoneses estudarem no exterior, por exemplo, na Europa e na América do Norte.

Agora, eles estão argumentando que a mudança não apenas abordaria questões relacionadas à escola causadas pela pandemia, mas também poderia corrigir outros problemas de longa data, como a programação dos exames de admissão nas universidades.

O interesse renovado sobre o início das aulas em setembro foi alimentado em parte por um tweet de 1 de abril por um estudante do ensino médio em Tóquio, que sugeriu a mudança para proteger os alunos.

“Mesmo que o início das aulas continue sendo adiado, a linha de chegada não mudará”, escreveu o estudante, cuja mensagem recebeu 97 mil curtidas.
O aluno também disse que o ensino online é inerentemente desigual por causa das grandes diferenças entre as escolas.

“Não posso aceitar ter que fazer exames de admissão na universidade depois de meses sem fazer nada”, disse o aluno.

Outros estudantes criaram uma petição online pedindo ao governo que mude o início do ano letivo.

Em uma semana, cerca de 3.000 assinaturas foram coletadas e a petição será submetida ao Ministério da Educação antes do final de abril.

Um grupo de pais e filhos que frequentam as escolas primárias de Tóquio montou um site de petições em 22 de abril.

O grupo disse que as disparidades crescentes na educação, dependendo do ambiente comunitário e familiar, eram uma violação clara da garantia constitucional de igualdade de oportunidades educacionais.

Os pais também pediram que o Japão seguisse a prática padrão no Ocidente para iniciar os anos escolares em setembro.

Um professor da escola primária na província de Fukuoka tem conversado com colegas sobre a mudança para o início de setembro.

Entre as preocupações que eles levantaram foi que o atraso relacionado ao vírus no início das aulas provavelmente reduziria drasticamente as férias de verão e exigiria que os alunos comparecessem às aulas aos sábados e gastassem até sete horas por dia na escola.

Mesmo com essas medidas, o início tardio pode levar ao cancelamento de eventos escolares, como reuniões atléticas e viagens.

Além disso, o professor disse que o início de setembro para o ano letivo significaria que os exames de admissão nas universidades não precisariam mais ser realizados no inverno, quando os estudantes precisassem se preocupar em evitar pegar gripe ou em como chegar aos locais de exames debaixo de neve.

Naoki Ogi, especialista em educação, também é a favor do começo de setembro. Ele disse que o atual começo de abril do ano letivo é um dos principais motivos pelos quais as universidades japonesas não estão se globalizando como as ocidentais, gerando desinteresse nos alunos japoneses de estudar no exterior.

O governador de Miyagi, Yoshihiro Murai, disse em sua entrevista coletiva em 27 de abril que o surto de coronavírus oferece a oportunidade perfeita para que alunos e pais se envolvam em discussões sobre como mudar o calendário do ano escolar.

“Isso não aconteceria se surgissem diferenças acadêmicas entre as regiões onde há efeitos importantes de infecções por coronavírus e aquelas com apenas efeitos menores”, disse Murai.

O ministro da Educação, Koichi Hagiuda, disse em uma entrevista coletiva em 24 de abril que estava ciente da conversa sobre a mudança do início do ano letivo para setembro. Mas ele disse que a questão mais urgente no momento é impedir a disseminação do COVID-19.

Alguns especialistas questionam a ideia, dizendo que a única vantagem seria ajudar os alunos que estão pensando em estudar no exterior.

“À medida que fica mais difícil determinar o que o futuro trará, há a possibilidade de que a disparidade existente entre regiões e famílias se amplie ainda mais”, disse Ryoji Matsuoka, professor associado da Universidade de Waseda, especializado em sociologia da educação.

“Será importante especificar o mais rápido possível quando as aulas serão retomadas e o que acontecerá nos exames de admissão da universidade do próximo ano”, disse.

O Ministério da Educação, em 27 de abril, deixou claro que qualquer decisão sobre quando as aulas serão retomadas será deixada inteiramente para os governos locais.

O estado de emergência declarado pelo primeiro-ministro Shinzo Abe está programado para terminar em 6 de maio, mas o Ministério da Educação disse que não estabeleceria um padrão unificado para retomar as aulas, dadas as grandes diferenças no número de infecções entre prefeituras.
Fonte: Alternativa





Visita do Papa Francisco ao Japão será de 4 dias

26 06 2019

O Papa Francisco deve chegar ao Japão em novembro e, de acordo com o cronograma, ele terá compromissos em Tóquio, Nagasaki e Hiroshima

papa francisco
O papa Francisco deverá fazer uma visita de quarto dias ao Japão no mês de novembro, divulgou a NHK.

Essa será a primeira visita papal ao país desde 1981, quando o papa João Paulo II veio ao arquipélago japonês.

O papa Francisco deve chegar a Tóquio em 23 de novembro. No dia seguinte, ele visitará Nagasaki e Hiroshima.

Em Nagasaki, ele fará orações na Catedral de Urakami, que foi reconstruída após o bombardeio atômico na cidade em 1945. Em Hiroshima ele fará uma homenagem às vítimas do bombardeio no Museu Memorial da Paz.

Em 25 de novembro ele deve se encontrar com o imperador Naruhito e o primeiro-ministro Shinzo Abe em Tóquio antes de realizar uma missa no Tokyo Dome.

A atenção estará focada em quais mensagens antinucleares o papa passará das cidades atingidas pelo bombardeio atômico.
Fonte: Portal Mie com NHK





Cerimônia de abdicação do imperador deve acontecer em 30 de abril

19 04 2019

A cerimônia de abdicação será a primeira do tipo na história da constituição do Japão

akihito emperor
O governo japonês decidiu oficialmente realizar a cerimônia de abdicação do imperador Akihito em 30 de abril como um ato de estado estipulado sob a Constituição.

A decisão sobre uma das cerimônias relacionadas à sucessão imperial foi feita durante uma reunião do Gabinete nesta sexta-feira (19). A cerimônia de abdicação será a primeira do tipo na história da constituição do Japão.

A Taiirei-Seiden-no-gi, ou Cerimônia de Abdicação de Sua Majestade o Imperador, no Salão do Estado, será realizada por 10 minutos, a partir das 17h em 30 de abril na Matsu-no-ma no Palácio Imperial em Tóquio.

A cerimônia terá a participação de mais de 300 dignitários, incluindo os líderes dos escritórios legislativo, executivo e judiciário, ministros do Gabinete, assim como os chefes de governos locais.

Após o imperador Akihito e a imperatriz Michiko entrarem na sala, a Espada e Joia Imperial – dois dos três tesouros que são símbolos do trono imperial – serão colocados em bancadas chamadas “an”.

O primeiro-ministro Shinzo abe vai declarar que o imperador abdicará ao trono com base em uma lei especial que entrou em vigor em junho de 2017. Abe manifestará sua gratidão ao imperador em nome do público.

O imperador de saída então fará um discurso, o qual será o seu último como soberano.

O príncipe herdeiro Naruhito deve ascender ao trono como novo imperador em 1º de maio.

O governo realizará uma reunião extraordinária do Gabinete no dia para aprovar oficialmente a primeira cerimônia para o novo imperador como um ato de estado constitucional.

A Cerimônia para Herdar as Joias e Selos Imperiais será realizada logo após a reunião do Gabinete.
Fonte: Portal Mie com NHK